FotografiaSlideshowLitoraneidadesInverna
Fui pra Pinheira sem previsão de voltar. Fui pra ficar o pra sempre que fosse. Acostumada com vida de apartamento e recém saindo de uma experiencia nômade em que vivi rodeada de gente, saboreei com gosto o inverno na praia quase deserta. Nesse tempo, consegui me conhecer melhor, entender meus gostos, escolhas, porquês, vontades. Foi um retiro. Basicamente eu, os pássaros e um ou outro morador passando de bicicleta. Sei que fez muito frio, mas isso eu quase não sentia. Escolhia estar com a pele no sol, ou bebia alguma coisa que me esquentasse (chá, café, ou coisas etílicas), também enchia a casa de velas. Maria Betânia cantou as forças da natureza no meu ouvido enquanto eu escolhia voltar descalça pela pontinha do mar. Chico poetizava os dias mais introspectivos. Os explosivos ganhavam ritmo pelas músicas eletrônicas. Às vezes trocava tudo por sax, por Amy, por Coldplay ou pela sorte do aleatório do Spotfy. Capturei algumas paisagens que vi. A coletânea representa bem a instabilidade do meu processo, das minhas luzes e sombras. Tudo experimentação. Tudo brincadeira. Tem clichês e bobices. Tem imagens de algumas eus que eu fui.